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robindotelhado
quinta-feira, julho 15, 2004
 
CARICAS

Para os que não sabem uma carica é um pedaço de metal retorcido, zangada por não ter nascido direita, embora mais tarde o tenha vindo a ser.
Sentado no Tropical, refinado café desta Vila, frequentado pelos mais ilustres e distinguidos funcionários públicos – parece que é condição de admissão – apreciava a passagem da nova Carica Sampedrense. Qual Garota de Ipanema – embora ainda não imortalizada como a do António Carlos Jobim – bamboleava o traseiro pelo Largo de Camões abaixo.

À sua passagem, um rasto de feijões escorregava das suas virilhas, depois de uma bafienta passagem pelas suas partes traseiras. Tão inchado seguia, que nem um feijãozinho, por mais ínfimo que fosse, lhe cabia nas ditas partes traseiras.
Após (mais) uma especialização feita à distância em Blogues, desta feita dirigida por uma Universidade de Minsk, cujo conhecimento vinha do tempo em que foi destacado e activo membro do MRPP, dedicou-se a tempo inteiro a disparar posts pseudo-intelectuais.
Ele são fotografias de políticos, ele são diferenças entre a esquerda e a direita, enfim, uma panóplia de questões com tamanha densidade que, por este andar, conduzirão a um convite para redactor do Abrupto.

Antes que isso suceda e é um repto que dirijo aos angariadres de tachos, peço aos nossos dirigentes camarários: em nome da nossa sanidade ou, para ser politicamente mais correcto, por reconhecimento dos elevados serviços prestados nesta vila, empreguem a nossa Carica no balneário, de preferência num sítio onde não existam computadores. Nunca com um horário de trabalho inferior a 20 horas diárias, não vá sobrar-lhe tempo para mais uns posts pós-revolucionários de uma Carica quase fascista.
Se o meu pedido não for aceite, fica prometida a encomenda ao escultor local de uma abre-garrafas, a ser construído em pedra e implantado defronte do tribunal, quiçá para substituir o inútil pelourinho. Antevejo a Carica a olhar embevecida para tão denotativo monumento.

Agora, ala que se faz tarde, vou dar mais uns banhinhos ou banhadas aos meus utentes.
 
segunda-feira, julho 12, 2004
 
O FILHO DO SEBASTIÃO
Agradecendo de forma antecipada o mail que quase me fazia cometer uma tremenda injustiça e inverdade, para não dizer descabida e maldizente mentira desbragada, passo, sem mais, a transcrever o mail que recebi e que, espero, seja suficiente para repor a honra, consideração e elevação de espírito do nosso querido Sebastião:

«Meu Querido Robin de Baiões,
Prestaria V. Exa., hic, hic, melhor serviço público se indagasse melhor sobre as questões de fundo das personagens sobre quem divaga.
Tivesse-o feito e haveria concluído que, daquele magnificente órgão pendente do meu prezado Sebastião, hic, hic, não sai apenas mijo., embora este seja claramente o líquido predominante.
Saberia, por certo, que dele brota também, hic, hic, o mais poderoso dos líquidos, capaz de fecundar o mais esquivo e renitente dos óvulos. E não se diga que a pureza resulta do elevado teor alcoólico resultante das quantidades bestiais de vinho tinto servido a 5º ingeridas pelo Desejado. Não se pense que um repetido devedor à inteligência é incapaz de cumprir o milagre, hic, hic, da multiplicação. Pureza não rima com dívidas de tipo nenhum, sequer à inteligência.
Quem não se recorda do filme que garantiu o Oscar™ a Forest Gump. Se V. Exa. bem se recorda o rapaz era estúpido, hic, hic, que nem uma porta e, ainda assim, foi capaz de procriar. Mais, meu caro, decerto se lembra que foi convidado para cumprimentar o homem mais poderoso do mundo, o Presidente dos Estados Unidos da América. Tal como o Sebastião, apesar deste, hic, hic, ter tido a «bonus sorte» de ter sido convidado a integrar a valorosa equipa da nossa White House.
Não fosse o nosso Sebastião não ser estúpido que nem uma porta e diria que o paralelismo era óbvio.
Em suma, saiba V. Exa. que o Sebastião, hic, hic, é uma grande machão, capaz de conduzir um camião, de envergar grande tesão e procriar um grande filhão».


Em nome pessoal, Sebastião, peço-lhe que aceite as minhas humildes e sinceras desculpas e releve a deficiência da minha fonte.
Agradeço ao anónimo hic, hic - quem será? Decerto não é o visado - que me enviou o mail que teve por condão evitar fosse cometida a mais preversa das interpretações ou cometida a mais vil falsidade.
Soubesse eu que era, para além de um valente mijado, um competente progenitor e não teria ocultado tal facto.
Já agora, qual o montante do abono (não Bono!) de família que recebe da White House? Maiorzinho que o da corretagem, não cara?

«All apollogies!!!», Kurt de Baiões, Nuncamind.
 
quinta-feira, julho 08, 2004
 
O ACIDENTE DA EXCELSA ESPOSA DO ALFACINHA
Um daqueles típicos alfacinhas, do estilo «em Lisboa é tudo mais baril, ‘tás a ver», tendo ouvido falar na Sintra da Beira e nas enaltecidas qualidades da sua água e gente , meteu-se à estrada no seu Daewoo recém comprado através de crédito pessoal com 569 prestações.
Com uns trocos no bolso, depois de ter vendido a pastelaria que tinha na Damaia, que lhe valeu umas massas depois de ter enganado um Baltazar de Cabo Verde, resolveu, dizia ele, «vir investir na província».
Após profícua conversação mantida com o mais elevado reduto intelectual sampedrense, representado pelos seus mais ilustres membros, Professores Doutores J. Borges e M. Silva, ambos com doutoramento em potilicosofia – novo ramo do saber que abrange aquilo que quiserem – foi aconselhado a investir no comércio de bebidas alcoólicas.
Com argumentos de peso, pelo menos assim pensou, tamanha era a convicção com que, entre eles, esgrimiam os mais complexos argumentos, ora citando uma quadra de Charles Baudelaire, ora parafraseando Friederich Engels, enquadrando estes autores na sua visão apologética das bebidas licorosas, conduziram o alfacinha até à Câmara para que este apresentasse um pedido de informação prévia quanto à localização pretendida do estabelecimento: Vilar.
Depois da re-homenagem a António Correia d’Oliveira, vociferaram os conceituados Professores, impunha-se agora enaltecer as virtudes da segunda personagem mais nobre do concelho: a puta de Vilar.
Num bailado sereno de palavras melancólicas, interrompido por um tom mais grave quando pretendia captar a atenção de todos quanto tentavam escapar-lhe, o Professor Silva dizia ser merecida a homenagem a tal mártir, que chegou a comparar a Joana D’Arc.
Percorrer os bosques de Vilar até ao Bar de Vilar, sentir o pulsar da vida da puta que por ali trabalhou arduamente, pelo menos assim o demonstravam vários sinais físicos da sua existência, que mais almejar, questionava-se agora o Professor J. Borges, enquanto evocava a memória de Natália Correia, para, logo de seguida, estabelecer um paralelismo com a determinação daquela.
Rendido a tanta eloquência e sapiência, lá se dirigiu o alfacinha ao departamento responsável pelo pedido em causa. Ali chegado, disseram-lhe que teria de falar com a responsável do principal, mas que esta se tinha ausentado por breves instantes, rapidinho, disseram os 39 simpáticos funcionários que por lá se acotovelavam.
Em alternativa, sugeriram, tente falar com o vereador responsável, pode ser que lhe resolva o problema.
Depois de autorizado pelos 79 assessores, o lisboeta da Damaia lá subiu ao primeiro andar, sempre acompanhado pelos sempre falantes Professores, que, entretanto, se envolviam entre si numa acesa discussão sobre as virtudes do sistema neo-liberal.
Aí chegado, informaram-no que o vereador estava ausente, mas que, rapidinho, voltaria.
O tempo foi passando – o necessário para os Professores Doutores J. Borges e M. Silva criarem as bases filosóficas de um sistema alternativo ao neo-liberal – e o alfacinha recebe uma chamada no seu telemóvel comprado na Feira do Relógio a um Tatamovich romeno. A sua excelsa esposa, que seguia na estrada que serpenteia o vale de ligação entre Vasconha e Fataunços, havia chocado de frente contra um jipe da Câmara de Sintra da Beira, em que seguiam, ao que se apurou, um vereador e uma responsável por um departamento camarário.
Seguiam, disseram depois, para uma reunião rapidinha que se iria realizar numa cidade ali próxima, parece que para debater com um arquitecto local um plano de pormenor na zona de Vilar.
Frustado com o sucedido e farto de ouvir a terceira teoria dos Ilustres Professores sobre o sistema neo-liberal, o alfacinha zarpou para a capital e não mais voltou à Sintra da Beira, farto de tanta cambalhota pública e notória.
Tristes ficaram os Professores, por terem perdido uma oportunidade de ficarem com um amigo no ramo das bebidas licorosas. Parece que nesse dia e num acto absolutamente inusitado, foram os dois para o Roquivários e, sobre as páginas do Público e Do Expresso, pousaram os copos onde afogaram as suas mágoas.
 
quarta-feira, julho 07, 2004
 
SEBASTIÃO

Pois é, o dever de cidadão do planeta Baiões impele-me a proceder a uma súmula dos factos mais gravosos ocorridos durante a minha ausência forçada para a Sibéria no nosso concelho.
No entanto, saibam V. Exas. que, doravante, não mais me referirei à nossa vila. Ainda hoje sofro as consequências de semelhante acto irreflectido: não me renovaram o meu 23º contrato do balneário, obrigaram-me a pentear a pêra de um senador e a carregar com as compras do Intermaché para o jipe da Câmara.
Desculpem a minha cobardia, mas tenho uma família para alimentar e já sabem como é, ou estão com a Câmara ou estão contra ela.
Apesar de antever a perda de 50% dos leitores do meu blog – passarei a ter apenas um, eu mesmo, já que o nosso assessor bloguista receberá, por certo, instruções para não mais lá espreitar – manterei esse desiderato.

Vou relatar-vos a história de um triste trabalhador de S. Paulo do Norte, vila que se situa no estado brasileiro de Pernanbuco, de seu nome Sebastião.
O Sebastião sempre foi a anedota de uma numerosa família. Nasceu com a sina de ser gozado por todos quantos o rodeavam, família e amigos incluídos.
Assim que nasceu, contraiu uma dívida de tal montante com a inteligência que nunca mais se conseguiu recompor, não a pagando e, por isso, ficando privado dela para todo o sempre.
Como se isso não bastasse, uma infelicidade aquando da sua concepção fez com que padecesse do mal de incapacidade de retenção urinária, pelo que andava sempre todo mijado.
Por o cheiro ser absolutamente insuportável e por forma a dar-lhe ânimo, os seus amigos – que os tinha, nem que fosse para lhes pagar umas caipirinhas – resolveram aproveitar-se dessa sua característica e resolveram, à boa maneira brasileira, candidatá-lo a prefeito local.
À boa maneira de Pernanbuco e por forma a que o eleitorado o identificasse de forma imediata resolveram chamar ao movimento de apoio que, espontaneamente ou talvez não, se formou em seu redor o MIJA (Movimento Íntegro de Jovens Abstémios).
Vestido de Pai Natal a distribuir balões às criancinhas, enquanto vozes ecoavam por onde passava: «Sebastião, MIJA para a frente! Sebastião, MIJA para a frente!».
Tirando proveito do elevado nível de responsabilidade da sociedade Pernanbucana, o resultado eleitoral foi uma retumbante vitória para o querido Sebastião, que desempenhou o seu cargo fiel aos princípios firmados no seu manifesto eleitoral: manter-se abstémio (no que ao álcool tange) até ao fim do seu mandato.

Nos anos que se seguiram, S. Paulo do Norte foi varrido por uma onde de imbecilidade contagiante, o que levou os eleitores a desinteressarem-se pelo Sebastião.
Com sentimento de dever cumprido e numa atitude de desprezo pela incredulidade revelada face ao seu trabalho, o Sebastião mudou-se de armas e bagagens para a vila mais próxima, Amazoparaná, assim chamada por se situar na confluência dos dois rios com esse nome: Amazónia e Paraná.
Aí se estabeleceu abrindo uma sociedade de corretagem de seguros, que se estendeu por todo o vasto Império de Pernanbuco. Certo é que, durante os anos que se seguiram não mais foi visto em S. Paulo do Norte, que deixou assim votada ao esquecimento.
Casou, apesar do referido problema de saúde que o afectava, mas não teve filhos.
Com um palato apuradíssimo tornou-se também um fervoroso apreciador de vinhos tintos, de preferência servidos a 5º.

Quando já ninguém se lembrava dos elevados serviços prestados ao seu concelho, o edil que então governava, num súbito rebate de consciência, porventura avivada pelo pai do Sebastião, sinistro barão do partido governante, conhecido por Bono Pater, que, durante dias e dias, não se deslocava da porta da Prefeitura, resolveu e bem, convidá-lo para pôr ao serviço desta os seus prestimosos serviços.
Relutante, pois que a corretagem ia de vento em popa, acedeu a tão ilustre pedido e voltou para a vila de S. Paulo do Norte.
Desenganem-se os que pensam que o edil apenas cedeu a pressões do aparelho partidário e que a contratação de Sebastião ia ser motivo para maiores chacotas.

Na verdade, a nomeação para tão importante cargo – o Sebastião tem por função controlar o número de lagartas verdes com olhos vermelhos existentes nas árvores e postes – foi condicionada a uma mudança radical do modo de vida do antigo representante máximo do Movimento MIJA.
Sempre pronto a responder às expectativas do povo, o Sebastião, embora não tenha conseguido deixar de verter a sua urina amarelada sobre as suas peludas pernas, adoptou uma postura de macho latino – herdada de alguns dos seus familiares da metrópole, oriundos da Bandulha – e começou, indiscriminadamente a bater na desgraçada da mulher, sempre que chegava a casa após uma aturada e cansativa prova de vinhos maduros tintos frescos.
Embora sempre atribuindo tal comportamento agressivo ao excesso de taninos existentes nalguns dos vinhos provados por mais do que 7 vezes cada um, ninguém conseguiu convencer que o pretendido não fosse antes prova de determinação, certeza e vigor, algo que faltava na Prefeitura.

Quem não lhe perdoou foi o povo, não pela monstruosidade de bater na pobre da mulher, pela vergonha de ter sido convidado por força do Bono Pater, sequer por provar vinhos em demasiada quantidade, mas pelo facto de apenas beber vinho maduro tinto gelado.
Adaptando uma música do folclore Pernanbucano, passou o povo a cantar em surdina, não fossem ser auscultados pelo Esquadrão Assesorial da Prefeitura, a seguinte música:
«Sebastião bebe tudo, tudo, tudo,
Sebastião bebe tudo com colher,
Sebastião mija tudo, tudo, tudo,
Chega à casa dá porrada na mulher!

I’ll be back soon.

Baiões, melhor dizendo, Porto de Galinhas directamente para Baiões, 7 de Julho de 2004.
 
S. Pedro do Sul, Viseu

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